Daniela Lourenco Counselling & Psychotherapy in Twickenham and Crouch End

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O Que Mais Podemos Dizer?

by Daniela Lourenco & Eunice Tome (Journalist)
17/10/2018

O que mais podemos dizer sobre a violência sexual, quando meio milhão de adultos ainda sofrem assédio sexual na Inglaterra e País de Gales? Por volta de 85.000 mulheres e 12.000 homens são estuprados todo ano. Uma média de 11 estupros a cada hora. Uma em cada cinco mulheres sofre alguma forma de violência sexual em sua trajetória de vida (1). No Brasil, um estupro a cada 11 minutos foi registrado em 2015 (2).

O que mais podemos dizer nesta era de #metoo, #timesup e #elenao, onde a violência contra mulheres e meninas ainda atinge números amedrontadores? Onde mulheres são as maiores vítimas de violência doméstica; onde sete mulheres por mês são assassinadas por ex ou atuais parceiros na Inglaterra e País de Gales (3). No Brasil, de acordo com um boletim epidemiológico (4), divulgado pelo Ministério da Saúde, houve um aumento de 83% nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2011 e 2017. A maioria ocorrendo mais de uma vez e dentro de casa, sendo os agressores pessoas do convívio, em geral familiares da vítima.

Quando a prática barbárica da mutilação genital feminina ainda é executada em inúmeros países, e em muitos ainda sendo aceita culturalmente, com pouquíssimos casos de processo contra seus praticantes.

Onde a violência de gênero e o crime de honra ainda persistem numa sociedade movida pela intolerância e o ódio coletivo. Numa sociedade onde a mulher e a menina são as maiores vítimas. Onde a menina é denominada puta e o menino garanhão pelo mesmo comportamento. Onde ainda precisamos de um dia no ano para comemorarmos o Dia da Mulher.

O que mais podemos dizer sobre desigualdade, quando nossa orientação sexual, gênero, cor e religião nos define como amigos ou inimigos, bons ou maus, mais do que nosso caráter, honestidade, índole, bondade e tolerância com o outro e suas diferenças?

O que mais podemos dizer, quando nossas bocas são caladas, nossos corpos violados, nossos filhos violentados e nos sentimos impotentes perante o controle e poder do outro?

Com todas essas indagações não podemos nos calar, pois as evidências e números falam mais alto sobre o caos em que vivemos. E ainda podemos dizer muito, muito mais.

Mas um alento veio recentemente de dois ganhadores do Prêmio Nobel da Paz - a ativista iraquiana Nadia Murad, de 25 anos, e o médico congolês Denis Mukwege, de 63 anos. Ela foi escravizada pelo estado islâmico, desde 2014, quando foi capturada pela facção e submetida a estupros diários e outros abusos. Ele por tratar vítimas de estupros, na sua função de ginecologista e tem sido o símbolo principal da luta para pôr fim ao uso da violência sexual em guerras e conflitos armados.

Essas são somente duas vozes que saltam nessa multidão de horrores. Vamos fazer coro com elas.

References:
(1) https://rapecrisis.org.uk/statistics.php
(2) http://www.forumseguranca.org.br/publicacoes/10o-anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/
(3) ONS (2016), March 2015 Crime Survey for England and Wales (CSEW)
(4) http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/junho/25/2018-024.pdf



Articles & Publications. Yellow Ribon Small

Precisamos falar sobre Suicídio

(Article published in Portal Londres on 10/09/2018)

“Minha dor é tão grande que a única saída é deixar de existir. Deixar de sentir, de pensar, de respirar”.

Hoje se comemora o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

De acordo com estatísticas coletadas pelo Samaritans, mais de 800.000 pessoas no mundo cometem suicídio a cada ano. No Reino Unido e República da Irlanda houveram mais de 6.000 casos em 2017, sendo o maior índice cometidos por homens na faxia de 25-34 e 45-49 anos de idade.

Falar sobre suicídio ainda é um tabu nos meios sociais, em nossas relações mais íntimas e até mesmo entre os profissionais da saúde. Muitas vezes acham que se falarmos ou perguntarmos sobre o tema, vamos estar colocando estes pensamentos na cabeça das pessoas, criando assim um problema que não existia. Mas este entendimento não é correto e não previne o mal. O que pode prevenir é exatamente o oposto – falarmos abertamente sobre o suicídio. Estarmos disponíveis para ouvir sem julgamento ou tentarmos resgatar a pessoa que está sofrendo. Para isso, precisamos lidar com nossos próprios medos e ansiedades que este tema nos gera.

É difícil saber ao certo o que leva uma pessoa a pensar em tirar sua própria vida, mas as causas mais comuns seriam: doenças mentais, como depressão, distúrbio bipolar e esquisofrenia; experiências traumáticas, como abuso sexual infantil, violência doméstica, vítimas de conflito, guerra; abuso de drogas e álcool; desemprego; isolamento social e solidão; problemas de relacionamentos; perdas e luto; problemas financeiros; bullying e cyber bullying para as gerações mais jovens, entre outras.

Como vemos, todos nós podemos potencialmente ser afetados por essas questões no decorrer da vida. E nós, como imigrantes morando longe da terra mãe e sem o apoio de familiares e amigos, somos ainda mais propensos aos vários fatores descritos acima. Portanto, não devemos temer uma conversa franca sobre o suicídio. Poder falar abertamente será, na verdade, um alívio.



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Além da Maternidade (Beyond Motherhood)

(Article published in Mamães Brasileiras pelo Mundo on 10/09/2018)

Você foi desejado, criado, esperado.

Somos um só, unidos por um cordão que nos nutre e que nunca se romperá.

Somos sangue do mesmo sangue e nunca mais estarei só.

E chega a hora de nos separarmos.

Você me rompe, me estraçalha para se tornar um outro,

Mas você ainda é meu.

Meu corpo e alma te alimentam.

E nos unimos agora pelo olhar, num momento de êxtase, onde já existem dois.

E o outro vem para nos separar, nos ajudar.

Neste momento enlouquecedor de total simbiose,

Onde perco minha identidade, perante a intensidade do nosso amor.

Mas sinto falta de ser livre,

Desejo o silêncio, a quietude solitária.

Resgatar meu corpo e pensamentos.

Você é um carma e uma benção.

Um parasita que me suga com suas demandas narcísicas.

Você me destitui e me dá diretrizes,

E dançamos esse tango entre o amor e o ódio.

Quero voltar a ser mulher, amante,

Não somente sua, seu espelho, sua escrava.

E quando vamos dormir, ambos exaustos, você olha nos meus olhos e diz ‘Eu te amo’.

E o mundo se silencia, escutando o som do seu corpo cansado, da sua mente ainda trabalhando.

E sei que morreria e mataria por você.

Olho para você já adormecido e sussurro no seu ouvido ‘Eu te Amo, filho’.



Este poema foi inspirado nos relatos de inúmeras mulheres que tive o privilégio de conhecer no decorrer dos anos, como também em minha experiência pessoal.



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